sábado, 3 de maio de 2014

Desabafando!

Esses últimos dias tem sido muito duros. Na verdade, este último mês foi difícil. São poucos os momentos que tenho me sentido bem. Parece que a cada momento estou pior. A falta de ar cresce; existem momentos que nem mesmo estar no oxigênio parece me fazer melhorar. A tosse incomoda e me deixa muito cansado. A qualidade de vida diminui dia após dia.

Que mais me espera?

A enfermeira esteve aqui em casa, disse que voltaria, mas até agora nada. Ela disse que provavelmente um médico do "postinho" viria me visitar, não recebi visita nenhuma.

Tenho lutado para não ir ao Pronto Socorro, mas de hoje não creio que consiga passar sem ir.

O ar parece não chegar. Parece que estou me afogando em terra seca. O peito doi, as costas doem, a cabeça doi...

Apesar do oxigênio o ar teima em não chegar aos pulmões. Vou para a janela, quem sabe ali melhoro. Fico quietinho, não quero mexer nem mesmo os olhos, para não fazer esforço desnecessário e poder economizar algum oxigênio.

Tenho sono, mas a falta de ar não me deixa dormir. Tenho fome, mas mastigar me deixa cansado...

O que fazer? Como viver assim? Claro que gostaria de viver, mas viver com alguma qualidade. Haverá algo que possa me fazer melhorar?

Espero em Deus! Em ti confio meu Senhor, e te peço, Senhor, guarda-me até aquele dia, que é o Teu dia.










quinta-feira, 10 de abril de 2014

MAIS UM DESABAFO

MAIS UM DESABAFO

Não importa o que eu pense, ou o que eu queira, ou o que eu sonhe; a verdade é que já não vejo a luz no fim do túnel.

Sei que serei criticado. Muitos hão de dizer que não tenho fé. Que duvido do poder de Deus e tantas outras coisas.

Mas isso não é verdade. Creio que Deus é soberano e pode operar qualquer milagre, se assim Ele desejar. Porém, também creio que o maior milagre Ele já operou ao permitir que eu tivesse acesso ao Evangelho salvador e me concedeu crer em Cristo como eu único e suficiente Salvador. Sei que fora Ele eu nada tenho, nem nada sou.

O mal que hoje me afeta e me deixa incapacitado para cumprir até mesmo as mínimas tarefas cotidianas foi consequência de meus próprios erros, de minha incapacidade de me negar determinados desejos da carne. Hoje sofro os erros do passado e colho da plantação que realizei.

Deus, é Deus imensamente Justo, sabiamente Justo e abomina o pecado. Por Sua infinita misericórdia perdoa o pecador, mas não o isenta das consequências do pecado, tanto que na Palavra está escrito: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.” Gl. 6.7-8.

Se em meu passado semeei da carne, é lógico que hoje colha da carne. Mas, também é verdade que o Senhor permitiu que eu o conhecesse, então, passei a semear em arrependimento, em desejo de conhecê-Lo cada dia mais; passei a semear em temor por Sua Palavra, por Sua santidade, por todos Seus atributos. E agora espero colher para a vida eterna.

Sim, já não vejo luz no fim do túnel. Já não encontro prazer em continuar trilhando o caminho. Não tenho forças físicas e como já afirmei, nem mesmo consigo realizar minhas atividades cotidianas sem ficar ofegante. Coisas que antes me davam prazer, hoje são sacrificantes:

     As deliciosas caminhadas, já não posso mais. Se ando meia quadra fico ofegante e sem ar, sou obrigado a parar, descansar, para então continuar.
      Tomar banho, só se for sentado e não raro necessitando de ajuda de outros.
      Mesmo o simples ato de escovar os dentes ou fazer a barba tem sido custoso
      Mas, o pior é que até comer tem me cansado. A mastigação tem me deixado muito cansado.

Sinceramente, tenho me sentido triste, desgastado, humilhado. Tenho comigo a Palavra que diz: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.” (Fp. 1.21), mas, enquanto o apóstolo ainda consegue consolação e continua dizendo “Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne.” (Fp. 1.22-24), eu não encontro essa mesma consolação. Ele, de alguma forma ainda tinha alguma utilidade, falava, pregava, ensinava. Eu...

Eu pouco saio de casa, nem à igreja tenho ido mais. Não posso fazer evangelismo e minha paixão por missões hoje é infrutífera. Não posso mais pregar, pois o falar também me cansa e com muita facilidade tenho ficado rouco. Não tenho que queira comigo dividir, compartilhar, aprender; então prá que ficar?

Sou cada dia mais inútil e mais dependente de uma máquina para poder respirar. Pra que continuar?

Olho meu presente e vejo que todo meu passado foi “correr ao vento”. Olho meu presente e vejo que meu passado foi um constante iniciar, sem nunca continuar ou completar. Não deixo nada realizado, nem nada de útil, porque vivi uma vida inútil. A penas corri atrás do vento. (JL. Guerrero)












terça-feira, 8 de abril de 2014

DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA

DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA

O que, de fato, é DPOC?

DPOC é a sigla para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica; que é a diminuição da capacidade respiratória do individuo afetado por essa doença. Ela pode se apresentar de duas formas: BRONQUITE CRÔNICA, ou ENFISEMA PULMONAR.

É fato, que poderíamos ampliar este quadro para outras enfermidades pulmonares, tais quais, além da bronquite crônica e o enfisema pulmonar, asma brônquica, e bronqiectasias; contudo, normalmente toda referencia dada à DPOC, fica restrita ao entendimento das enfermidades já nomeadas.

De forma geral, a bronquite crônica tem seu diagnóstico confirmado a partir do momento que o paciente relata tosse produtiva (com catarro) durante um período igual, ou superior, a três meses por ano, durante dois anos consecutivos e que estejam excluídas outras patologias advindas de infecções respiratórias e tumores.

Já o enfisema pulmonar, tem seu diagnóstico firmado com a constatação da destruição dos alvéolos nas paredes pulmonares, fazendo com que o oxigênio fique retido nos pulmões e, com isso os pulmões perdem sua elasticidade, diminuindo sua capacidade funcional da troca de oxigênio do organismo humano.

Devemos recordar que são nos alvéolos que é realizada a troca gasosa do dióxido de carbono pelo oxigênio, que irá percorrerá toda corrente sanguínea. Com a destruição gradual destes, os pulmões tornam-se hiperinsuflados (muito distendidos), tornando difícil o funcionamento pulmonar, o que acaba acarretando intensa falta de arna realização de tarefas cotidianas, mesmo as mais simples como caminhadas, o banho, ou o escovar de dentes.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) dá a seguinte definição para a DPOC:

“É uma doença previnível e tratável com alguns efeitos extrapulmonares significantes que podem contribuir para gravidade individualmente”.

Já a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), define de forma mais abrangente e elucidativa, quando diz:

“A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma enfermidade respiratória prevenível e tratável, que se caracteriza pela presença de obstrução crônica do fluxo aéreo, que não é totalmente reversível. A obstrução do fluxo aéreo é geralmente progressiva”.

 Como pudemos observar a SBPT dá uma definição mais abrangente. Ainda que ambas definições afirmem que é uma doença previnível e tratável, a SBPT aponta para a irreversibilidade e para a progressividade da moléstia, e ainda completa dizendo:

“A obstrução fluxo aéreo é geralmente progressiva e está associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões à inalação de partículas ou gases tóxicos, causada primariamente pelo tabagismo. Embora a DPOC comprometa os pulmões, ela também produz conseqüências sistêmicas significativas. O processo inflamatório crônico pode produziralterações dos brônquios (bronquite crônica), bronquíolos (bronquiolite obstrutiva) e parênquima pulmonar (enfisema pulmonar). A predominância destas alterações é variável em cada indivíduo, tendo relação com os sintomas apresentados.”

Sem dúvida, devemos admitir que a quase totalidade dos casos da DPOC, estão ligados aos casos de tabagismo e, podemos afirmar com toda convicção que algo em torno 15 a 20 % dos fumantes tem desenvolvido a DPOC; enquanto que o indice de mortalidade entre os que desenvolvem a enfermidade, varia entre 85 e 90% dos casos. Esse fato fez com que o Surgeon General, dos EUA, afirmasse que existem evidências suficientes para a conclusão de que existe uma real relação entre o tabagismo e a morbidade e mortalidade por DPOC.

Antes de prosseguir sobre a DPOC, gostaria de lembrar que o tabagismo é o consumo de qualquer derivado de tabaco, seja ele produtor, ou não, de fumaça. Ou seja, além do cigarro, charuto, cachimbo, cigarrilha, cigarro de palha e narguillé; também o rapé e o tabaco mascável. A OMS reconhece o tabagismo como uma doença crônica, epidêmica; que é transmitida pela propaganda e publicidade. Devemos ter claro que o tabagismo é a maior causa evitável de adoecimentos e mortalidade precoce em todo o mundo. Ainda segundo a OMS, esta é a causa de morte de um em cada dez adultos, ou cinco milhões ao ano.

Já no Brasil, a Organização Pan-americana de Saúde, aponta para algo em torno de duzentas mil mortes ao ano.

O hábito do tabagismo expõe o fumante a 4.720 substâncias, muitas delas tóxicas, e que faz o tabagismo ser o fator casual de aproximadamente 50 doenças. Entre elas encontramos: câncer (pulmão, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero, leucemia), doenças do aparelho respiratório (enfisema pulmonar, bronquite crônica, asma, infecções respiratórias) e doenças cardiovasculares (angina, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, aneurismas, acidente vascular cerebral, tromboses).

A relação entre o tabagismo e a DPOC já está bem estabelecida já a vários anos. Por isso, é possível apontar que a DPOC, se desenvolve após vários anos de tabagismo e que os fumantes de cigarros apresentam um risco 10 a 14 vezes maior de morte por DPOC, enquanto que para os fumantes de charutos e cachimbos este risco fica em torno de 6 vezes maior de morte por essa mesa patologia.É possível, também, relacionar a mortalidade dos fumantes de cigarros, com o número de cigarros consumidos diariamente; aqueles que fumam entre 1 a 14 cigarros por dia apresentam um índice de mortalidade 5 vezes maior do que os não fumantes. Já aos que fumam mais de 25 cigarros por dia dobram a chance de morte em relação ao grupo que fuma menos.  

Portanto, é cabível afirmar que a maneira mais eficaz de evitar essa patologia é evitar o fumo, ou parar de fumar. Evitar o fumo é a única forma de prevenção da doença. E se houver necessidade procure ajuda de seu médico.

Aqui na Baixada Santista procure a LICOTINA, do Hospital Guilherme Álvaro, ali você receberá todo apoio necessário para parar de fumar e, se necessário receberá o tratamento mais adequado. Além da LICOTINA, o Pneumologista, Dr. Waldir Nascimento Cunha Filho, me informa que na UNIMED preventiva existe um trabalho voltado para ajudar aqueles que que desejam parar de fumar, com médicos e psicólogos capacitados para esse auxílio. Além desses dois, temos ainda outro trabalho realizado pela Prefeitura Municipal de Santos, que possui um ambulatório especializado para a cessação do tabagismo. (JL. Guerrero)







segunda-feira, 31 de março de 2014

DESABAFO!

Às vezes os momentos de sofrimento nos fazem entender coisas que não entenderíamos se assim não fosse. Não estou aqui pregando a “teologia do sofrer”, ou algo parecido, restou apenas afirmando que o sofrimento nos dá a condição de avaliar melhor aquilo que o outro sente.

Ao mesmo tempo, porque o homem não gosta de sofrer, o sofrimento nos faz com que deseje os benefícios da saúde, que muitas vezes quem tem não dá o merecido valor; bem como o acréscimo da idade, com as vantagens proporcionadas pelo aumento da experiência (e a proximidade do passamento), leva o homem a olhar para traz e ver aqueles que já se foram (muitas vezes em meio ao sofrimento). Um sofrimento que muitas vezes não percebemos, ou achávamos que era exageradamente dimensionado, como forma de chamar atenção.

Poderia falar de minha mãe, que morreu com enfisema, e de seu sofrimento, que nós mal notávamos, já que pensávamos serem pequenas solércias como forma de chamar para si toda atenção. Hoje sinto em mim mesmo os males por que passou e sei que não eram artifícios, mas uma rude realidade de sofrimento cotidiano.  

Mas, sobre ela deixarei para outra oportunidade. Hoje quero lembrar-me de um amigo que deixou muitas saudades. Homem íntegro e extremamente inteligente possuía um ótimo caráter. Mesmo não tendo grandes recursos financeiros, possuía vastos recursos filosóficos e intelectuais. Tinha grande amor pelas letras e pelos livros, mas não possuía apego por eles.
Claro que já não preciso dizer de minha enorme admiração por ele.

Este homem, por uma grande ironia, contraiu o vírus da AIDS em sua primeira relação sexual, após vinte anos sem nenhum tipo de envolvimento com outra pessoa.

Sei que muitos julgarão, outros teorizarão os eventos que envolveram a fatalidade e a vida do Hamilton, porém eu, de minha parte, hoje apenas quero lembrar-me de um episódio em uma das vezes que fui à sua casa para receber de seu vasto conhecimento.

Naquele dia me lembro dele dizendo que quando chegasse ao céu, estaria com a “bola da sua vida” debaixo do braço e, que faria questão de, entregando-a de volta para Jesus, lhe dizer: 

“Não gostei de jogar esse jogo. Estou devolvendo essa bola furada. Toma que a bola é sua!”.

Sei que para alguns pode soar como blasfêmia ou, no mínimo, total falta de respeito. Entretanto devo lembra-los que ele não era aquilo que poderíamos ter como “religioso”. Talvez ele fosse, quando muito, um nominal.

E é, exatamente por esse fato que devemos tentar não julgar suas atitudes, ou palavras lançadas em momento de extrema revolta; ainda mais, porque além do HIV, ele também era portador do “mal de Parkinson” de DPOC (com o agravante que não parava de fumar - um amigo em comum me contou que, já no final, ele estava permanentemente ligado ao O2, mas volta e meia ele desligava o aparelho para poder fumar).

Lembro-me de sua enorme simplicidade para descomplicar pensamentos complexos. De sua tolerância para tratar determinadas conversas irritante. Seu enorme equilíbrio para os assuntos recheados de preconceitos.

Ainda hoje tenho grande admiração por ele. Posso afirmar, com a mais absoluta certeza, que não compactuo com todos seus pontos de vista. E muito menos sobre sua visão do Divino e do etéreo.

Mas confesso que andei ao seu lado para, quem sabe, aprender com ele. Quem dera pudesse ter aprendido com sua intelectualidade, com seu caráter, com sua imensa humildade, com suas palavras de equilíbrio...

Mas, devo reconhecer que não consegui aprender totalmente a lição que seria mais importante; a lição de persistência e coragem.

E, hoje, pensando nele, percebo que ele era muito melhor do que eu, pois precisou de três doenças temíveis para que ele “desistisse do jogo da vida”, sem nunca abandonar a enorme vontade de viver a vida.

Eu, ao contrário, creio na finalidade do jogo da vida e agradeço a Jesus por ter permitido que eu o jogasse, mas em contrapartida...

Faço minha as palavra do Apóstolo quando diz: “porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1.21).

A verdade é que dia após dia minhas forças vêm se esgotando, e a vontade de continuar vem diminuindo.

A verdade é que a saúde vem se deteriorando (e cada dia mais), a vida, vagarosamente, se esvaído, escorrendo pelos dedos, sem que eu possa fazer nada, sem que eu tenha forças para deter esse processo e sem que eu veja luz no fim do túnel. A verdade é que eu sei que a “vela” da minha existência está se apagando, mas me pergunto: porque tem que ser tão lento?

Se por um lado sou grato a Deus por permitir ter a vida que tenho, e por saber que ainda existe um plano dEle em minha vida, por outro lado o desgaste e a impotência me tiram toda vontade de existir.
E assim vou caminhando em meus dias, no mais absoluto antagonismo pessoal, andando entre a depressão e a fé, entre a vontade e a capacidade, entre a ilusão e a realidade. ENTRE O SONHO E A VIDA.  (JL. Guerrero)


















domingo, 30 de março de 2014

INICIAL

Sempre tive o desejo de escrever um diário, ou qualquer coisa do gênero. Mas, não sou disciplinado o suficiente para ter o compromisso de escrever diariamente. Apesar que escrever, muitas vezes, é a única maneira de me acalmar, pois coloco no papel todas minhas ânsias, desilusões, frustrações e, assim exorcizo a maioria todos meus fantasmas; ainda assim, não tenho a disciplina necessária para o escrever diário sobre meus dias, até porque os acho muito monótonos e insossos.

Mas, o desejo de escrever com respeito aos meus dias de enfisemado tem sido constante. Já tive uma breve experiência a esse respeito que não deu certo, então decidi que, ao invés de ser diário, vou torná-lo uma crônica sem obrigatoriedade de escrever diariamente, mas escrever sobre aspectos mais relevantes, ou momentos mais incômodos.

Sei que haverão muitas mudanças de humor, até porque isso é uma constante em mim. E existirão momentos que parecerei tocar o céu, para no momento seguinte estar a beira do inferno. Em meus dias é comum viver o dia de enorme euforia, e no outro total depressão.

Vocês verão! Vocês acompanharão! Isso é: se alguém se der o trabalho de ler. 

Até o próximo momento.

JL.Guerrero