MAIS UM DESABAFO
Não importa o que eu pense,
ou o que eu queira, ou o que eu sonhe; a verdade é que já não vejo a luz no fim
do túnel.
Sei que serei criticado. Muitos
hão de dizer que não tenho fé. Que duvido do poder de Deus e tantas outras
coisas.
Mas isso não é verdade.
Creio que Deus é soberano e pode operar qualquer milagre, se assim Ele desejar.
Porém, também creio que o maior milagre Ele já operou ao permitir que eu
tivesse acesso ao Evangelho salvador e me concedeu crer em Cristo como eu único
e suficiente Salvador. Sei que fora Ele eu nada tenho, nem nada sou.
O mal que hoje me afeta e me
deixa incapacitado para cumprir até mesmo as mínimas tarefas cotidianas foi consequência
de meus próprios erros, de minha incapacidade de me negar determinados desejos
da carne. Hoje sofro os erros do passado e colho da plantação que realizei.
Deus, é Deus imensamente
Justo, sabiamente Justo e abomina o pecado. Por Sua infinita misericórdia
perdoa o pecador, mas não o isenta das consequências do pecado, tanto que na
Palavra está escrito: “Não erreis:
Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também
ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção;
mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.” Gl.
6.7-8.
Se em meu passado semeei da carne, é lógico que hoje colha da carne.
Mas, também é verdade que o Senhor permitiu que eu o conhecesse, então, passei
a semear em arrependimento, em desejo de conhecê-Lo cada dia mais; passei a
semear em temor por Sua Palavra, por Sua santidade, por todos Seus atributos. E
agora espero colher para a vida eterna.
Sim, já não vejo luz no fim do túnel. Já não encontro prazer em
continuar trilhando o caminho. Não tenho forças físicas e como já afirmei, nem
mesmo consigo realizar minhas atividades cotidianas sem ficar ofegante. Coisas
que antes me davam prazer, hoje são sacrificantes:
As deliciosas
caminhadas, já não posso mais. Se ando meia quadra fico ofegante e sem ar, sou obrigado a parar, descansar, para então continuar.
Tomar banho,
só se for sentado e não raro necessitando de ajuda de outros.
Mesmo o
simples ato de escovar os dentes ou fazer a barba tem sido custoso
Mas, o pior é
que até comer tem me cansado. A mastigação tem me deixado muito cansado.
Sinceramente, tenho me sentido triste, desgastado, humilhado. Tenho
comigo a Palavra que diz: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.”
(Fp. 1.21), mas, enquanto o apóstolo ainda consegue consolação e continua
dizendo “Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o
que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo
de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas
julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne.” (Fp. 1.22-24),
eu não encontro essa mesma consolação. Ele, de alguma forma ainda tinha alguma
utilidade, falava, pregava, ensinava. Eu...
Eu pouco saio de casa, nem à igreja tenho ido mais. Não posso fazer
evangelismo e minha paixão por missões hoje é infrutífera. Não posso mais
pregar, pois o falar também me cansa e com muita facilidade tenho ficado rouco.
Não tenho que queira comigo dividir, compartilhar, aprender; então prá que
ficar?
Sou cada dia mais inútil e mais dependente de uma máquina para poder
respirar. Pra que continuar?

